Ontem assisti ao Globo de Ouro 2011 sem qualquer expectativa. Pensem bem: como esperar surpresas e ousadias de um prêmio que indica Alice no País das Maravilhas como melhor filme de comédia e ainda seleciona Johnny Depp por dois papeis que são considerados os pontos baixos da carreira do ator? E não venham me dizer que foi falta de opção… Kick-Ass estava aí e foi solenemente ignorado. Portanto, não foi surpresa alguma acompanhar uma festa previsível e sem novidades, onde nas categorias de cinema foi feito o óbvio e nas de TV apostaram em escolhas não muito agradáveis. Como todo ano, o Globo de Ouro se firma como apenas um evento. É perceptível como os vestidos, as entrevistas e os atores confraternizando são muito mais importantes que os prêmios em si. Ao contrário do Oscar, o GG se importa apenas em aparecer nos jornais e nas revistas – porque, convenhamos, qualquer premiação que se considera séria não convida Justin Bieber para apresentar qualquer categoria. Ou seja, assistir o Globo de Ouro é sinônimo de imaginar como deve ser prazeroso para os atores sair num domingo à tarde para tomar champagne, conversar com gente famosa e arrasar nos looks para chamar a atenção. Os prêmios são um mero detalhe. Mas isso não é novidade. Algumas considerações sobre a cerimônia:
CINEMA
- Errar é humano. Insistir no erro é burrice. Ricky Gervais foi um insosso apresentador no ano passado e na cerimônia desse ano mostrou, novamente, que não foi a melhor das escolhas. Quando não passa despercebido (as milhares de categorias impedem que um apresentador do Globo de Ouro tenha muito espaço), apostava em piadas perigosas, brincando com a reputação de alguns presentes na festa. - De todos os prêmios, o que mais me deixou contente foi o de Melissa Leo. Agora todo mundo vai inventar de dizer que ela já arrebentava desde Rio Congelado (eu já declarava isso desde o lançamento do filme e, inclusive, Leo tinha minha torcida para vencer o Oscar), mas o fato é que a atriz tem tudo para faturar o prêmio da Academia esse ano. Sua colega Amy Adams já não parece mais ser forte concorrente (Leo também venceu o Critics’ Choice).
- Ainda é cedo para dizer, mas, ao que tudo indica, A Rede Social será o grande vencedor do próximo Oscar. Ano passado, essa sensação estava com Avatar(Guerra ao Terror só foi aparecer semanas depois desbancando todos os candidatos, incluindo o filme de James Cameron, em tudo que é prêmio), mas duvido muito que o longa de Fincher perca o favoritismo. Uma pena, já que nem de longe merece essa badalação toda.
- Sério que tem pessoas surpresas com A Origem saindo de mãos vazias? É aquele típico caso de filme que não chegou aos cinemas na temporada de premiações. O longa de Nolan foi para os cinemas cedo demais. Pode ter certeza que se tivesse sua estreia no final do ano, estaria ganhando tudo. Mas ao menos era de se esperar que tivesse levado o de trilha para não sair de mãos abanando…
- Annette Bening e Natalie Portman. Será interessante acompanhar essa disputa. Óbvio que Bening vencerá o SAG, mas ainda assim não consigo ver a atriz como a favorita ao prêmio da Academia. Portman é desfavorecida pelo filme (cult demais, enquanto Minhas Mães e Meu Pai é o queridinho indie do ano), mas tem um papel que exige mais. Mas como queimei minha língua ano passado achando que Meryl venceria o Oscar só com o GG em mãos, minha aposta, por enquanto, fica com Bening.

Já no segmento televisivo, o Globo de Ouro conseguiu trazer algumas surpresas (a maioria delas decepcionante, é verdade). A TV se beneficia por ter um campo bem mais amplo de indicados, apesar da bagunça que é a categoria de coadjuvantes (é o cúmulo do absurdo misturar série, minissérie e telefilme). Mas, assim como o clima da premiação, quer destacar os nomes badalados do momento e os sucessos de público. Só isso para explicar uma segunda vitória de Glee. De qualquer forma, foi muito mais interessante acompanhar os prêmios para as séries do que para o cinema. O meu balanço geral sobre essa parte da cerimônia:
TV
- Como um prêmio popular e que tem como missão conseguir a maior audiência e destaque possível na mídia, o Globo de Ouro premiou, novamente, a modinhaGlee. O estouro da série já passou e é de se surpreender que o prêmio tenha ignorado solenemente o Emmy, deixando de lado a ótima Modern Family, que não recebeu prêmio algum.
- Jane Lynch é, de fato, a estrela do elenco de Glee e, de maneira alguma, contesto qualquer prêmio para a ótima atriz. Por um outro lado, qualquer celebração para o banguela Chris Colfer é puro exagero. O garoto é gay na vida real e, na série, tem a mesma cara e o mesmo jeito que apresenta em entrevistas e prêmios. Colfer é ele mesmo no seriado. Se isso é sinônimo de ser bom ator, então, ele realmente mereceu…
- O reinado de Mad Men parece ter chegado ao fim (também, depois de três anos vencendo…). Nada mais óbvio, portanto, do que premiar Boardwalk Empire. Sempre existe aquele blá blá blá que é puxa-saquismo porque tem o nome de Martin Scorsese envolvido – e, talvez, até seja – mas é programa da HBO. Ou seja, não tenho a audácia de contestar qualquer coisa. Qualquer outra série vencendo (incluindo a também recente The Walking Dead) seria ilusão.
- Laura Linney foi devidamente coroada por seu maravilhoso desempenho emThe Big C. Esse, que era o prêmio de TV que eu mais esperava, foi amenizado porque a atriz não compareceu ao prêmio devido ao falecimento do seu pai. De qualquer forma, clap clap para Linney, ela mereceu!
- Momento WTF? da noite foi a tal de Katey Sagal vencendo melhor atriz em série dramática. Não vejo Sons of Anarchy, mas só de saber que uma categoria dessas não tem Glenn Close concorrendo por Damages já ganha o meu desprezo. Quanta audácia deixar Patty Hewes de fora!